Ah, a maldição da insônia...
O que fazer quando se é acometido por ela? Ler? Não sinto vontade, tampouco tenho algo interessante. Sexo? Estou sem parceiro no momento.
Ok, vamos procurar alguém na net? Todo mundo dormindo... E eu com essa maldita insônia. Que inferno, queria ter alguém com quem conversar.
Deveria existir um serviço do tipo ‘disque insônia’: você liga e alguém do outro lado da linha se ocupa em lhe distrair até que o sono chegue. Não existe esse tipo de serviço para os deprimidos, para os suicidas? Uma pessoa com insônia é um um depressivo-suicida em potencial, então porque não adiantar o processo de atendimento?
Deveria existir um serviço do tipo ‘disque insônia’: você liga e alguém do outro lado da linha se ocupa em lhe distrair até que o sono chegue. Não existe esse tipo de serviço para os deprimidos, para os suicidas? Uma pessoa com insônia é um um depressivo-suicida em potencial, então porque não adiantar o processo de atendimento?
Melhor ainda, criar uma rede de insones conversando uns com os outros. Não seria o máximo? Funciona assim: eu sofro de insônia, você também. Nós dois nos inscrevemos num cadastro de insones. Lá falamos dos nossos interesses, ideais políticos, filosóficos e religiosos e um belo dia, nos vemos os dois acordados no meio da madrugada com os olhos esbugalhados. Irritados pela espera do sono que não vem, ligamos para o disque insônia e o próprio sistema, analisando nossos cadastros, trata de cruzar nossas linhas e, dessa forma, passamos o resto da noite acordados falando da vida até que o dia amanheça e, pela manhã já exaustos, começamos a cochilar com os telefones nas mãos. Nunca saberemos quem é quem pois o sistema é tão seguro que cria pseudônimos e bloqueia informações muito pessoais. Assim, com o passar do tempo nos tornaremos insones não mais por preocupações ou desilusões, mas pela ansiedade de encontrar a já familiar voz amiga.
Como isso ainda não existe, converso, solitariamente e insone, com o meu PC, tão frio quanto qualquer psicanalista.
Na televisão um filme idiota qualquer passa uma história sem pé nem cabeça e eu fico me perguntando: "Por que será que as redes de TV não se preocupam com as pessoas insones? Esse tipo de filme só piora nossa situação. Por que não podem passar um delicioso musical dos anos 50, um filme sem qualquer pretensão além de divertir quem está assistindo?" E o filme não acaba nunca mais, é uma sucessão de cenas esquisitas, sem nexo ou sentido, sem qualquer propósito. Onde eles querem chegar com isso? Mudo de canal e nada, outro assunto, mas a mesma porcaria...
Ah sono, chegue, por favor! Não há nada pior do que uma noite vazia, sem ter com quem conversar. Pior: conversando consigo mesma, tendo que enfrentar todos os seus medos e angustias: isto sim é terrível...
E agora começa o corujão. O nome o filme é ‘Kung Fu Futebol Clube’. Isso lhe diz alguma coisa? Sim, diz, claro que diz. Diz "nunca tenha insônia, pois esse é o tipo de coisa reservada aos solitários sonâmbulos." Porque todo sonâmbulo é um ser solitário. Não adianta termos família, filhos, amigos, nada disso nos salva quando a insônia chega e a solidão noturna assola, fazendo-nos perceber que estamos destinados ao abandono e que só temos a nós mesmos.
Triste conclusão ao nascer dos primeiros raios de sol!
Que nem que eu, esse negócio de insônia.
ResponderExcluirTem acontecido quase que diariamente. Tô envelhecendo rápido com isso... Mas, fazer o quê, né?! Parece ser mal de família rsrsrs...
Quanto ao Blog, parabéns, minha irmã.
Muito boas suas primeiras palavras. Mostra bom potencial para a escrita. Aliás, mais um de seus enormes e variados talentos.
E, diferentemente de mim, que começo mtas coisas na vida e as abandono pelo caminho (me parece algo de bipolaridade... será?), persevere nesse campo da escrita.
Quem sabe não surgirão coisas boas e novas oportunidades para vc, né não?
No mais, um bjo e continue sua trilha.
Haha...Obrigada pelo incentivo, mas não tenho nem nunca tive pretensão de literata. Conforme eu mesma explico no subtítulo do blog, o objetivo é mais terapeutico que tudo. Venho fazendo isso há anos (escrevendo-falando comigo mesma), mas agora que estou mais madura (é, também estou ficando velha) criei coragem para me expor. Aliás, se existe vantagem em envelhecer essa é a maior delas: a liberdade de fazermos o que quisermos sem o medo do ridículo ou crítica alheia.
ResponderExcluirQuanto a insônia, acho que é problema de família mesmo. Nós cinco sempre padecemos desse mal, né. Então resolvi o problema fazendo blogterapia (rs).
Valeu!
D.