Constantemente
recebo em minha escola de música pais buscando aulas para seus filhos
pequenos. Normalmente faço o atendimento de rotina para um bom
encaminhamento: pergunto qual a idade, porque ele está buscando a aula de
música, se a criança já demonstrou algum interesse específico, etc. Tendo
apurado estas informações, sugiro algum curso adequado para a faixa etária e
aptidão daquela criança: musicalização, flauta, teclado ... Mas muitas vezes
ouço como resposta dos pais o questionamento por outros instrumentos. “Ele quer
guitarra ou bateria” (a criança tem só 4 anos), “Violino não pode?”, “Mas dizem
que Mozart começou a tocar aos 4 anos incompletos!”
Ok, o
parâmetro é Mozart? Então vamos lá:
1 –
Mozart era filho de um músico exímio, excelente violinista e cravista;
2 – Sua
irmã mais velha, pouco conhecida, também era uma excelente cravista e foi
justamente por influência dela que Mozart começou seus estudos musicais tão
cedo;
3 – Mozart
tomava suas lições em casa com o próprio pai, sob olhar atento da mãe,
DIARIAMENTE;
4 – A
quantidade diária de horas de dedicação do menino Amadeus ao instrumento era
relativamente igual ao que as crianças de hoje dedicam à TV, computador e
games;
4 – Antes
dos 6 anos completos Mozart iniciou suas turnês, sempre acompanhado pela mãe
que lhe fazia tudo, inclusive suas malas, o trabalho dele era exclusivamente o
de tocar. E assim foi até os 17 anos do rapaz. Ou seja: foram mais de 11 anos
da mãe dedicados a isso.
Pergunta:
os senhores estão dispostos a esta empreitada?
Se formos
avaliar a vida de todos os gênios da nossa atualidade, também veremos o papel
fundamental e a dedicação irrestrita de seus pais. Vamos então exemplificar com
prodígios bem próximos de nós, cuja habilidade é o domínio do futebol, assunto
que todos nós temos conhecimento: Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho,
Messi e agora Neymar. Todos eles, sem exceção, tiveram do seu lado um pai ou
mãe (ou os dois) que se dedicaram para que seus filhos se tornassem quem são.
Eles têm grande habilidade com a bola? Sim têm muita habilidade, mas sem o
apoio dos pais, provavelmente seriam hoje rapazes que, felizes, jogam uma
pelada todo domingo para relaxarem de uma semana de trabalho estressante.
Essa
reflexão me leva a pensar sobre o que nós pais estamos esperando de nossos
filhos. Sim, existe muita, muita expectativa, eu mesma já me peguei pensando
que meus filhos poderiam ter sido isso ou aquilo, porque certa vez eles
demonstraram uma grande habilidade para alguma coisa, mas que depois acabaram
deixando aquilo de lado. Temos muitos, muitos sonhos para os nossos
filhos, mas nem sempre estamos dispostos a colocá-lo em prática. Porque se o
colocarmos em prática, deixa de ser sonho e se torna uma responsabilidade e
isso significa trabalho, esforço, persistência: compromisso.
Hoje eu tenho a certeza de que o que eu espero
dos meus filhos é que eles sejam felizes! E se um deles quiser tocar violão ou
violino aos 4 anos de idade, não pode? Pode sim, mas é preciso que eu entenda
que tenho que ampará-lo e que, caso ele perceba no meio da trajetória que não
era bem isso que ele queria, eu o apoie e esteja disposta a começar tudo de
novo.
