quinta-feira, 7 de março de 2013

O QUE ESPERAMOS DOS NOSSOS FILHOS




Constantemente recebo em minha escola de música pais buscando aulas para seus filhos pequenos.  Normalmente faço o atendimento de rotina para um bom encaminhamento: pergunto qual a idade, porque ele está buscando a aula de música, se a criança já demonstrou algum interesse específico, etc. Tendo apurado estas informações, sugiro algum curso adequado para a faixa etária e aptidão daquela criança: musicalização, flauta, teclado ... Mas muitas vezes ouço como resposta dos pais o questionamento por outros instrumentos. “Ele quer guitarra ou bateria” (a criança tem só 4 anos), “Violino não pode?”, “Mas dizem que Mozart começou a tocar aos 4 anos incompletos!”
Ok, o parâmetro é Mozart? Então vamos lá:
1 – Mozart era filho de um músico exímio, excelente violinista e cravista;
2 – Sua irmã mais velha, pouco conhecida, também era uma excelente cravista e foi justamente por influência dela que Mozart começou seus estudos musicais tão cedo;
3 – Mozart tomava suas lições em casa com o próprio pai, sob olhar atento da mãe, DIARIAMENTE;
4 – A quantidade diária de horas de dedicação do menino Amadeus ao instrumento era relativamente igual ao que as crianças de hoje dedicam à TV, computador e games;
4 – Antes dos 6 anos completos Mozart iniciou suas turnês, sempre acompanhado pela mãe que lhe fazia tudo, inclusive suas malas, o trabalho dele era exclusivamente o de tocar. E assim foi até os 17 anos do rapaz. Ou seja: foram mais de 11 anos da mãe dedicados a isso.
Pergunta: os senhores estão dispostos a esta empreitada?
Se formos avaliar a vida de todos os gênios da nossa atualidade, também veremos o papel fundamental e a dedicação irrestrita de seus pais. Vamos então exemplificar com prodígios bem próximos de nós, cuja habilidade é o domínio do futebol, assunto que todos nós temos conhecimento: Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Messi e agora Neymar. Todos eles, sem exceção, tiveram do seu lado um pai ou mãe (ou os dois) que se dedicaram para que seus filhos se tornassem quem são. Eles têm grande habilidade com a bola? Sim têm muita habilidade, mas sem o apoio dos pais, provavelmente seriam hoje rapazes que, felizes,  jogam uma pelada todo domingo para relaxarem de uma semana de trabalho estressante.
Essa reflexão me leva a pensar sobre o que nós pais estamos esperando de nossos filhos. Sim, existe muita, muita expectativa, eu mesma já me peguei pensando que meus filhos poderiam ter sido isso ou aquilo, porque certa vez eles demonstraram uma grande habilidade para alguma coisa, mas que depois acabaram deixando aquilo de lado. Temos  muitos, muitos sonhos para os nossos filhos, mas nem sempre estamos dispostos a colocá-lo em prática. Porque se o colocarmos em prática, deixa de ser sonho e se torna uma responsabilidade e isso significa trabalho, esforço, persistência: compromisso.
Hoje eu tenho a certeza de que o que eu espero dos meus filhos é que eles sejam felizes! E se um deles quiser tocar violão ou violino aos 4 anos de idade, não pode? Pode sim, mas é preciso que eu entenda que tenho que ampará-lo e que, caso ele perceba no meio da trajetória que não era bem isso que ele queria, eu o apoie e esteja disposta a começar tudo de novo.

2 comentários:

  1. Excelente texto!! Uma grande verdade. Sempre esperamos muito dos nossos filhos mas quase nunca temos tempo ou disposição para acompanhá-los, não com um acompanhamento comum, padrão, mas um grande como a expectativa que temos em relação a eles!! Excelente texto e reflexão!!

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    1. Valeu, Everton Drumond! Vindo de um pai tão dedicado e incentivador eu fico lisonjeada!

      Beijos mil!

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